(R)Evolução do Front-end nos Últimos 10 Anos
Front-end

(R)Evolução do Front-end nos Últimos 10 Anos

O front-end tal como conhecemos hoje passou por um longo processo evolutivo nos últimos 10 anos, onde quase nada do que é visto hoje era possível há uma década. Veremos a seguir a como o front-end conseguiu seu espaço e atenção tão grande da comunidade de desenvolvedores.

Cenário da época

Cenário da Época

Cenário da Época à 10 anos atrás

A 10 anos atrás praticamente nada do que conhecemos sobre Front-end existia e nem mesmo a especialização profissional de “Front-end”. Tudo o que se fazia para web estava designado para dois tipos de profissionais: Web designer e Webmaster. No entanto estas duas intitulações profissionais existem ainda hoje, porém são maneiras obsoletas de apontar profissionais, pois, hoje em dia, elas englobam muitas especialidades da web.

O Web designer era responsável pelo design e parte das interações com o usuário não muito complexas, já o Webmaster era o responsável pela parte do Server-side, conexão com o banco de dados e interações mais avançadas com o usuário.

O que havia de linguagem Client-side para trabalhar eram as seguintes: HTML4, CSS1 (e CSS2) e Javascript. O HTML teve sua versão final e revisada (4.01) em dezembro de 1999. O CSS estava em sua versão dois desde 1998, porém a maior parte dos desenvolvedores somente usava a versão do CSS 1, pois o navegador mais popular era o Internet Explorer 6 e este apresentava pouca compatibilidade com o CSS2. E em 1996 a Netscape (atual Mozilla) homologava a primeira versão do Javascript e este ainda não era usado como linguagem de programação e ninguém imaginava naquela época o potencial que ela teria, sendo usada somente para fazer animações simples no navegador do usuário.

Haviam dois navegadores principais: O Internet Explorer 6 e o Netscape da Mozilla. O Internet Explorer 6 era o mais usado na época, pois era distribuído junto com o bom Windows XP. Já o Netscape da Mozilla era bastante promissor, mas precisava ser feito o seu download de 30 mb em uma internet que geralmente tinha a velocidade de 56kb. O Opera que tem tantos usuários quanto tem hoje. Naquela época pouca importância se dava aos navegadores Opera e Safari; o primeiro pelo fato de poucos usarem, o que não mudou muito hoje, e o segundo pelo fato dos computadores da Apple serem inacessíveis à maior parte das pessoas que os usam hoje.

Haviam poucos editores de códigos e era muito normal a edição de código em arquivos de textos, tipo Notepad, e após mudar a extensão de .txt para .html. No entanto haviam dois editores mais populares que eram o FrontPage da Microsoft e do Dreamweaver da Macromedia (que foi comprada posteriormente pela Adobe).

Como existiam somente e apenas dois profissionais, o Webmaster e web designer, responsável pelo site (ou sites), pelo universo e tudo mais, era bem comum uma desorganização no código, onde normalmente em uma só página HTML era misturado o HTML, CSS e Javascript. E até mesmo nos próprios diretórios FTP não existia organização por pastas e a maioria das vezes era jogado tudo no mesmo diretório tanto quanto arquivos HTML, quanto imagens e arquivos do tipo Server-side.

Assim muito por culpa dos navegadores da época, como também do W3C e Mozilla não evoluírem suas linguagens e até mesmo dos próprios web designers e Webmasters é que surgiram novas opções para a época.

A era dos Plug-ins

Era dos plug-ins

Ainda hoje os plug-ins são comuns.

Com este “descaso” com estas linguagens começaram a se popularizar vários plug-ins que poderiam fazer o que estas linguagens ainda não evoluíram para diversos focos: RIA, vídeo, áudio e imagem, entre outros. Dentre os mais usados estavam o Flash Player, Java Applet, QuickTime, Real Player e muitos outros.

Dos mais poderosos plug-ins era o Flash Player e através do Flash os Web designers viveram uma época de ouro. Pois com o Flash, um Web designer não precisava entender muito de programação alguma para criar um site inteiro com a maior facilidade, pois bastava criar e arrastar alguns elementos que poderia criar um site, um player de vídeo, um banner ou uma galeria de imagem e a eles apenas aplicar alguns códigos como play() e stop() para conseguir impactar o usuário.

Com o tempo muitos foram os sites desenvolvidos com Flash, e muito outros elementos que usavam esta tecnologia foram se multiplicando na web. E enquanto o Flash evoluía de versão para versão, ano a ano as outras linguagens originais para desenvolvimento web estavam sem quase nenhuma evolução. Também alguns Webmasters foram atraídos pelo Flash, pois ele apresentava uma linguagem de programação chamada Actionscript e ela estava em sua 2ª versão. Por ser muito parecida com Javascript foi dominada com facilidade. E a cada versão nova do Flash Player também eram adicionadas novas funções e classes na linguagem.

Somente em 2006 teremos uma novidade para o Javascript com o lançamento da biblioteca jQuery, com a evolução do AJAX, XML, JSON. Assim alguns Webmaster também encontraram as mesmas facilidades que encontraram no Flash para manipulações de código Javascript, assim como facilitar a entrega de dados do Back-end, agilizando assim também o carregamento da página.

Neste meio tempo o Flash também evoluía e por alguns anos houve certa concorrência, no entanto à medida que o próprio Google avançava e junto com ele o SEO, o Flash, cada vez mais, acabava se tornando uma opção errada para a web, pois não era fácil de ser lido pelos motores de busca, além de que quase sempre apresentavam falhas gravíssimas de segurança. Porém a ferramenta era estável com cada vez mais profissionais de qualidade programando em AS, dando imensa qualidade ao resultado. Como também a Adobe começou a ver o Flash também com bons olhos e focou bastante o investimento em tal ferramenta.

Porém com o advento do iPhone o Flash sofreu um grande golpe.

O avanço mobile

O avanço mobile

O avanço da tecnologia mobile foi seletivo.


Até 2007 alguns celulares tinham acesso à internet e até boa navegação para a época. E muitos tinham o Flash Player instalado, apesar do mesmo ser muito pesado para celular e dar pouca mobilidade, já que a navegação era sempre feita pelo teclado. No entanto em junho de 2007 isto começou a mudar com o lançamento do iPhone.

Com a decisão da Apple de não permitir nenhum tipo de plug-in o iPhone afetou diretamente o Flash. Por ter um sistema inovador de navegação por toque, foi permitido aos dispositivos mobiles finalmente um acesso total às interações da web e em pouquíssimo tempo o novo dispositivo da Apple dominou e revolucionou o mercado.

Deste evento em diante praticamente todo site desenvolvido tinha a sua versão mobile. E nesta versão mobile quase não havia espaço para o Flash.

Começaram a surgir várias bibliotecas e frameworks para desenvolvimento mobile, que aproveitaram o espaço vazio e entre eles podemos destacar o jQuery Mobile que é usado até hoje.

A W3C também avançava na especificação do HTLM5 e CSS3 e em 2008 já começaram a ser aceitos por alguns navegadores. Aliado a isto a Mozilla também avançou com o Javascript por seu lado.

Com tudo isso o cenário já não era mais o mesmo. Já não eram apenas dois profissionais para o desenvolvimento web e sim vários e assim nascia o desenvolvedor front-end.

Responsável não apenas para codificar a interface recebida daquele que fazia a criação do site, mas também já trabalhava, muitas vezes, com programação em Javascript. E começava a ser um profissional que se preocupava com as múltiplas resoluções que ele precisava adequar o website, com os múltiplos navegadores que o website seria visualizado. Já se importava com a semântica e com a qualidade do código. Era regra, de fato, ter uma página para o HTML, uma para o CSS e outra para o JS.

A revolução

A revolução

A revolução partiu de uma inovação em dispositivos.

A revolução não poderia ser de outro meio a não ser por um lançamento de outro dispositivo que quebraria paradigmas no modo como o usuário iria interagir com o ambiente digital. E assim foi em janeiro de 2010, quando foi lançado o iPad que em pouco tempo encontrou uma fatia de mercado ainda inexplorada que tentava ser ocupada com os netbooks, mas que em pouco tempo estava sendo explorada por muitas outras empresas que também queriam uma fatia.

Como foi um dispositivo mobile com iOS, não haveria lugar para Flash nesta revolução. Muitos dos desenvolvedores em Flash migraram para o Javascript e HTML5, aumentando, em número e qualidade, esta comunidade. A partir daí muita coisa que só era possível em Flash começou a ser portada para Javascript. Assim o foco no desenvolvimento de front-end que antes era dividido agora estava totalmente para o HTML5, CSS3 e Javascript.

Não demorou muito tempo para serem criados novos frameworks para Javascript, CSS3 e HTML5, que facilitaram o desenvolvimento web e também ajudaram a popularizar o front-end, além de tornar esta parte do desenvolvimento web mais atraente e desafiadora.

E hoje em dia este é o cenário positivo com espaço para muitas inovações. As linguagens de front-end nunca foram tão avançadas. E agora permitem a especialização em cada uma. E pela popularização do Javascript como linguagem de programação, já poderemos chamar sim os desenvolvedores Front-end como programadores Front-end. A tendência é que todas essas linguagens evoluirão e se tornarão mais consistentes com o passar dos anos. Mas muito disso depende dos desenvolvedores para que estas tão importantes linguagens sigam este bom caminho de desenvolvimento e evolução.

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